O recente encontro entre o presidente Lula e Donald Trump acendeu um debate sobre os rumos do mercado global de soja. A possibilidade de que a China volte a ampliar as compras do grão dos Estados Unidos preocupa o agronegócio brasileiro, que teme perda de espaço nas exportações.
De acordo com o comentarista Miguel Daoud, do Canal Rural, uma reaproximação comercial entre China e Estados Unidos pode alterar o equilíbrio global do setor. “Se a China voltar a comprar mais dos Estados Unidos, o Brasil perde espaço temporariamente. Os chineses buscam diversificar fornecedores para reduzir riscos, e isso impacta nossas exportações”, afirmou.
Daoud pondera, porém, que o cenário não aponta para uma queda imediata nos preços internos. “O que vai definir o comportamento das cotações é o contexto global. Os estoques norte-americanos estão elevados, e Trump tem como objetivo fortalecer o produtor americano. Com o dólar em queda, a soja dos EUA ganha competitividade no mercado internacional”, explicou.
O analista reforça que o Brasil deve encarar o momento como um sinal de alerta para fortalecer sua cadeia produtiva. “Precisamos agregar valor, investir em biocombustíveis e aumentar a eficiência. Se a China voltar a priorizar os Estados Unidos, o Brasil tem de olhar para dentro e se tornar mais competitivo. O desafio é reduzir custos e ampliar a rentabilidade com produtos de maior valor agregado”, concluiu.
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