O número de plantas por área é um dos principais componentes de produtividade da soja. Embora a cultura seja conhecida por apresentar certa plasticidade (habilidade compensativa), estabelecer populações adequadas, dentro do recomendado para a cultivar, é determinante para a obtenção de altas produtividades.
Sobretudo, além do bom estabelecimento inicial da lavoura, é essencial garantir o bom desenvolvimento das plântulas. Fatores bióticos e abiótico como pragas, doenças, plantas daninhas e condições climáticas podem influenciar no desenvolvimento das plântulas, impactando significativamente o crescimento e desenvolvimento da soja.
De acordo com Neumaier et al. (2000), o estádio VC representa o estádio em que os cotilédones se encontram completamente abertos e expandidos, além disso nesse estádio a plântula ainda é dependente das reservas dos cotilédones para suprir suas demandas nutricionais. Logo, a perda dos cotilédones nesse período pode representar perdas de produtividade de até 9%.
Corroborando o impacto da perda dos cotilédones na produtividade da soja, Barbosa et al. (2012) avaliaram o efeito de diferentes injúrias sobre a produtividade de cultivares de soja de hábito de crescimento determinado e indeterminado. Conforme observado pelos autores, estatisticamente, apenas as injurias mais drásticas, como a remoção de dois cotilédones e duas folhas unifolioladas, e o corte da planta abaixo das folhas unifolioladas reduzem substancialmente a produtividade da soja.
Mesmo que, do ponto de vista estatístico, os autores não tenham constatado diferenças significativas na produtividade da soja em decorrência dos níveis mais leves de injúria, os dados apresentados na Tabela 1 indicam uma redução de quase 10% na produtividade (≈401,22 kg) quando há perda de um cotilédone, em comparação à testemunha (sem injúrias). Esse resultado evidencia a importância dos cotilédones para o adequado desenvolvimento e desempenho produtivo da cultura. Quanto ao hábito de crescimento da soja, não foram observadas diferenças estatísticas na produtividade entre os genótipos avaliados.
Nesse contexto, a adoção de estratégias de manejo que reduzam o impacto de pragas e doenças incidentes sobre os cotilédones nas fases iniciais do desenvolvimento da soja é fundamental para preservar o potencial produtivo da cultura. Pragas como as lagartas Helicoverpa spp. e Elasmopalpus lignosellus, além de lesmas e caracóis, são comumente observadas nesse período, causando danos principalmente às plântulas. Assim, o monitoramento criterioso logo após a emergência torna-se essencial para o bom estabelecimento da lavoura, sobretudo em áreas com histórico de ocorrência dessas pragas ou de doenças iniciais.
BARBOSA, G. C. et al. IMPACTO DE DIFERENTES NÍVEIS DE INJÚRIAS SOBRE A PRODUTIVIDADE DE CULTIVARES DE SOJA DE HÁBITO DE CRESCIMENTO DETERMINADO E INDETERMINADO. VII Jornada Acadêmica da Embrapa Soja, 2012. Disponível em: <https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/67783/1/ID-33358.pdf> acesso em: 27/10/2025.
NEUMAIR, N. et al. ESTÁDIOS DE DESENVOLVIMENTO DA CULTURA DE SOJA. Embrapa, 2000. Disponível em: < https://www.alice.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/456809/1/ID-12906.pdf >, acesso em: 27/10/2025.
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