Com a tensão no cenário comercial, o presidente norte-americano Donald Trump declarou que pretende usar parte da arrecadação do tarifaço para compensar os produtores rurais do país, afetados pela perda do mercado chinês.
O comentarista do Canal Rural, Miguel Daoud, avaliou que o Brasil precisa se preparar, já que a China, maior compradora de soja brasileira, pode ampliar ainda mais sua participação no comércio nacional.
Segundo ele, não se trata apenas de uma questão tarifária. A China, que já enfrentou embates piores com os EUA sem deixar de comprar soja, hoje conta com estoques elevados do grão e aproveita o excesso de oferta mundial. “O estoque de passagem global está em torno de 125 milhões de toneladas, sendo que só o Brasil tem quase 4 milhões. Isso pressiona os preços e explica a queda vista no mercado futuro, que pode se aprofundar”, afirmou.
Daoud lembrou ainda que a China é um mercado crescente para diversos produtos além da soja e milho, como o café, e destacou a importância do Brasil investir em produtos com valor agregado para reduzir a vulnerabilidade a ciclos de baixa nos preços das commodities.
Por outro lado, ele chamou a atenção para um fator estrutural de maior risco, que é o endividamento global. “O mundo hoje deve 350 trilhões de dólares, mais de 300% do PIB mundial, estimado em 110 trilhões. Isso gera preocupação com a elevação de juros, tanto nos EUA quanto na Europa, e pode afetar fortemente a economia mundial”, explicou.
Nesse cenário, a China continua sendo um cliente estratégico para o Brasil, mas o país precisa estar atento às oscilações internacionais. “Ela pode comprar do Brasil, da Argentina, ou até segurar seus estoques sem recorrer aos Estados Unidos. Mas o ponto central é que a preocupação maior está na dívida global e no aumento das taxas de juros, que podem impactar todos os mercados”, concluiu.
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