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Mercado de arroz enfrenta pior crise de rentabilidade desde a pandemia – MAIS SOJA


O mercado de arroz continua enfrentando uma severa crise de rentabilidade, talvez a pior desde a pandemia. A afirmação é do analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.

“O setor está mergulhado em um colapso, com preços nos menores patamares desde maio de 2020 e quase 50% abaixo da temporada anterior”, apontou.

No Rio Grande do Sul, principal estado produtor, as negociações da saca de arroz em casca ocorrem entre R$ 55 e R$ 65, valores significativamente inferiores ao custo de produção, que varia de R$ 75 a R$ 90. Conforme o analista, a pressão é tão intensa que se reflete no varejo, com pacotes de 5 kg sendo vendidos em promoções agressivas por até R$ 12, um claro sinal de demanda enfraquecida e margens esgotadas em toda a cadeia produtiva.

A liquidez no mercado é extremamente baixa, e a situação é agravada pela dificuldade de acesso ao crédito do Plano Safra. “Produtores estão sendo forçados a liquidar estoques apenas para ‘fazer caixa’, o que perpetua um ciclo de vendas compulsórias com prejuízo”, analisa Oliveira. Este cenário ocorre em meio a estoques de passagem recordes, projetados em 2,3 milhões de toneladas, que garantem uma oferta abundante para o futuro próximo, mesmo com a expectativa de uma leve queda na produção no ciclo 2025/26.

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Como resposta, o setor busca uma autorregulação. “A necessidade de redução da área plantada, estimada entre 8% e 10% no RS, é uma medida drástica, mas essencial para reequilibrar a oferta e a demanda”, explica o analista.

Em estados com arroz de sequeiro, essa redução pode chegar a 30%. No fechamento da semana, a média da saca no Rio Grande do Sul foi cotada a R$ 60,20, registrando uma queda de 3,14% em relação à semana anterior e uma desvalorização acumulada de 49,39% no ano.

No cenário internacional, o dólar apresentou uma leve correção e fechou a R$ 5,3655, influenciado por um ambiente global de cautela. Nos países do Mercosul, os preços de exportação seguem estáveis, mas competitivos em relação ao produto brasileiro. No Paraguai, a tonelada é negociada a US$ 390 (FOB), enquanto na Argentina e Uruguai os valores são de US$ 470 e US$ 490, respectivamente. Na Bolsa de Chicago (CME/CBOT), o contrato futuro do arroz fechou novamente em queda, cotado a US$ 11,37 por quintal curto, embora o valor convertido em reais (R$ 67,19 por saca) ainda se mantenha acima da média praticada no Rio Grande do Sul.

“A longo prazo, a saída está na capacidade de agregar valor por meio de co-produtos como proteína do farelo, lecitina e sílica. Essa diversificação será determinante para reduzir a vulnerabilidade aos ciclos de superoferta”, estima Oliveira.

Fonte: Ritiele Rodrigues – Safras News

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