O agronegócio, muitas vezes apontado como vilão ambiental, pode ser a peça-chave na luta contra o aquecimento global – e Mato Grosso aparece como protagonista dessa transformação. Essa foi a tônica do seminário “Cadeia das Proteínas: Combustível e Alimento para o Mundo”, promovido pela Frente Parlamentar do Biodiesel (FPBio), em Brasília, e que contou com a presença do O Livre.
O encontro reuniu parlamentares, lideranças do setor produtivo e representantes da ciência para defender a construção de uma nova economia verde em torno da soja e do biodiesel, destacando duas frentes principais:
“A cadeia do biocombustível é a grande aliada da descarbonização da matriz de transportes. O Brasil já demonstra ao mundo que é possível crescer e, ao mesmo tempo, reduzir emissões.” — João Henrique Hummel, diretor-executivo da FPBio.
A agricultura é um dos setores mais sensíveis às mudanças climáticas, mas também um dos que mais pode contribuir para mitigá-las. Para o professor Ailton Terezo, doutor em eletroquímica e docente da UFMT, a pesquisa científica transforma o campo em solução climática.
Segundo ele, bioinsumos, nanotecnologia, manejo de solo e sistemas integrados (lavoura-pecuária-floresta) já mostram resultados concretos em captura de carbono, aumento da biodiversidade e menor uso de fertilizantes químicos.
“Cada avanço científico precisa ser medido não só em produtividade, mas em quantos quilos de CO₂, litros de água ou hectares de floresta são poupados. É isso que transforma inovação em solução climática.” — Ailton Terezo, UFMT.
Na visão do ex-presidente da Aprosoja Brasil, Antonio Galvan, o país já é protagonista no tema, apesar das críticas internacionais.
“O Brasil não precisa se reposicionar. Nós já somos protagonistas na transição energética. Mato Grosso, em especial, preserva mais de 60% de sua área. Nenhum outro país tem essa responsabilidade ambiental.”— Antonio Galvan, produtor rural e ex-presidente da Aprosoja Brasil.
Hummel reforça que o futuro do agro brasileiro não depende apenas da soja, mas de toda a cadeia de proteínas, que já responde por 26% das exportações do país. Mesmo assim, a oleaginosa segue sendo a base dessa engrenagem:
“É possível dizer que não só o agro depende do complexo soja, como a economia brasileira pode ser transformada a partir do protagonismo das proteínas na cadeia global de comércio.”
— João Henrique Hummel, FPBio.
Maior produtor de soja e de biodiesel do país, Mato Grosso está no centro dessa estratégia. O modelo de produção local une sustentabilidade, inovação científica e preservação ambiental, tornando o estado um exemplo de que o agro pode ser solução, e não problema, para a crise climática mundial.
Essa trajetória não seria possível sem a dedicação de milhares de produtores que, dia após dia, trabalham para alimentar o país e o mundo. Mais do que isso, eles vêm se posicionando como agentes de preservação, investindo em práticas sustentáveis e respeitando o Código Florestal, um dos mais rigorosos do planeta.
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