O custo da produção de soja safra 2025/26 em Mato Grosso voltou a subir em julho, o que reacende preocupações sobre a rentabilidade da próxima safra. Fertilizantes, corretivos e defensivos foram os principais responsáveis pelo aumento do custeio, que já passa dos R$ 4.000 por hectare. A alta reacende a preocupação com a rentabilidade já que, apesar da alta, o mercado ainda não apresenta preços firmes para a próxima temporada.
O plantio da safra 2025/26 no estado só será liberado a partir de 7 de setembro, quando termina o período do vazio sanitário. Até lá, os produtores já sentem no bolso o peso das despesas. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), só em julho, o custo de produção avançou 0,92%, com fertilizantes e corretivos subindo 1,31% e defensivos, 1,44%. Atualmente, o custeio por hectare está em R$ 4.183.
Os produtores destacam que a alta de custos se reflete principalmente nos defensivos, enquanto a relação de troca com a soja permanece desfavorável. Comparando com as últimas cinco safras, o cenário atual exige mais sacas para garantir uma tonelada. Além disso, fatores logísticos e incertezas no comércio internacional adicionam desafios à produção.
De acordo com o Imea, apesar do aumento recente, os custos seguem abaixo do patamar registrado no ciclo 2022/23, quando ultrapassaram R$ 5.000 por hectare. Ainda assim, o setor reforça a importância de controlar despesas, investir de forma estratégica em maquinário e reduzir ao máximo a estrutura da lavoura para manter a competitividade.
Outro ponto de preocupação é o custo elevado de juros, que pressiona a agricultura e aumenta a insegurança financeira. Quando o clima não ajuda, a produtividade cai, os insumos custam caro e o juro está alto, consumindo a renda do produtor na primeira safra. Muitas vezes, a segunda safra é necessária para equilibrar as contas.
O cenário internacional também impacta diretamente o planejamento agrícola. A dependência de derivados de petróleo e as incertezas nas relações comerciais, como taxações e ameaças do governo norte-americano, podem elevar ainda mais os custos de produção, especialmente para produtores arrendatários.
Diante desse contexto, os produtores apostam em estratégias de venda escalonadas e cautelosas. O segredo está em vender conforme surgem oportunidades, dividindo ao longo do ano, para conseguir melhores preços e preservar a renda no campo, além de torcer por um clima favorável, pois a produtividade ainda depende disso.
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