O mercado brasileiro de arroz atravessa um momento de transição delicada, marcado por um equilíbrio frágil entre a sustentação dos preços internos e a necessidade urgente de descompressão da oferta. A afirmação é do analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
As negociações seguem limitadas, concentradas em volumes pontuais e direcionadas majoritariamente ao cumprimento de obrigações financeiras imediatas por parte dos produtores. “A postura majoritária ainda é de retenção, com os orizicultores mantendo o produto estocado à espera de cotações mais atrativas — uma decisão estratégica, mas que aumenta o risco de acúmulo de estoques se a liquidez não avançar via exportações”, destaca o analista.
Nesse contexto, as exportações seguem sendo o principal vetor de equilíbrio. “Negócios pontuais no porto já chegam ao patamar de R$ 74 a saca (posto), evidenciando a atratividade para agentes posicionados na exportação”, relata o consultor.
Ainda assim, o Brasil continua perdendo parte relevante do mercado externo para concorrentes diretos no Mercosul, especialmente Paraguai e Uruguai, que comercializaram seus estoques de forma mais ágil e com preços mais baixos.
A competitividade externa do Brasil ainda enfrenta barreiras estruturais importantes. “O custo logístico até o porto, especialmente em momentos de maior pressão na cadeia de transporte, segue sendo um dos principais entraves à fluidez dos embarques”, explica Oliveira.
Além disso, segundo o analista, o setor aponta gargalos internos que poderiam ser solucionados com ações pontuais: a remoção da taxa CDO (Capatazia por Doca Operada) e do pedágio interestadual para exportação, por exemplo, são medidas citadas por agentes do setor como fundamentais para ampliar a competitividade brasileira.
A média da saca de arroz no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista), principal referencial nacional, encerrou a quinta-feira (31) em R$ 69,23, alta de 0,05% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, a alta era de 5,21%. Em relação a 2024, a desvalorização atingia 40,87%.
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Fonte: Rodrigo Ramos/ Agência Safras News
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