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Posicionamento de híbridos de milho contribui para o manejo dos enfezamentos – MAIS SOJA


Dentre as principais pragas da cultura do milho, as cigarrinhas Dalbulus maidis adulto e Leptodelphax maculigera são os principais vetores da transmissão dos enfezamentos no milho. Os enfezamentos são doenças causadas pela infecção da planta de milho por microrganismos denominados molicutes, que são um espiroplasma (Spiroplasma kunkelii) e um fitoplasma (Maize bushy stunt). Os dois tipos mais comuns são o enfezamento-pálido (causada por espiroplasma) e o enfezamento-vermelho (causada por fitoplasma) (Embrapa).

Figura 1. Comparação de Dalbulus maidis adulto com Leptodelphax maculigera.
Fonte: Ferreira et al. (2023)

Embora o controle químico do vetor com o emprego de inseticidas durante o período crítico seja o método mais utilizado para reduzir as população da cigarrinha-do-milho, diferentes estratégias de manejo atreladas a boas práticas podem ser utilizadas de forma integrada para reduzir as perdas de produtividade em função dos enfezamentos.

Dentre as boas práticas relacionadas ao manejo dos enfezamentos e da cigarrinha-do-milho, o posicionamento de híbridos de milho é uma das mais importantes.

Figura 2. Boas práticas para o manejo dos enfezamentos e da cigarrinha-do-milho.
Fonte: Alves et al. (2020)

Conforme observado por Cota et al. (2018), há uma diferença substancial de produtividade entre genótipos de milho em função da suscetibilidade aos enfezamentos quando a cultura é afetada pela doença. Avaliando a produção de milho e os danos em decorrência dos enfezamentos em diferentes genótipos, os autores observaram variação de produtividade de 321,6 kg ha-1 a 8.114,4 kg ha-1 dependendo da intensidade dos danos e suscetibilidade do híbrido, demonstrando que há uma relação entre produtividade e tolerância aos enfezamentos, quando as plantas são acometidas pela doença.

Figura 3. Produção de grãos (A) e Notas de enfezamento (B) em genótipos de milho plantados em Sete Lagoas-MG. Barras verticais representam o desvio padrão das médias. Para as notas de severidade, médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo teste de Scott & Knott P=0,05).
Fonte: Cota et al. (2018)

Nesse sentido, fica evidente a necessidade de posicionar preferencialmente híbridos de milho com maior tolerância aos enfezamentos, especialmente se tratando de áreas de produção com histórico da ocorrência das cigarrinhas, uma vez que as perdas podem chegar a 90% em híbridos suscetíveis e entre 15% e 30% em híbridos com maior grau de tolerância (Stürmer & Goral, 2023).

Nesse sentido, é consenso que alguns híbridos de milho performam melhor sob a ocorrência dos enfezamentos, deve-se portanto, dar preferencial pelo cultivo desses genótipos em áreas cujo complexo de enfezamentos é um problema frequente. Para tanto, deve-se conhecer o nível de tolerância dos híbridos disponíveis para cultivo. Embora o melhoramento genético tenha contribuído com o surgimento de novos híbridos safra após safra, conhecer a tolerância de alguns dos principais híbridos de milho já disponíveis no mercado pode auxiliar no posicionamento desses híbridos no campo.

Avaliando a tolerância de diferentes híbridos de milho ao complexo de enfezamentos, Stürmer & Goral (2023) observaram haver diferenças significativas entre os genótipos, podendo classifica-los quanto ao nível de tolerância aos enfezamentos em tolerante, intermediário e sensível. Confira abaixo a nível de tolerância de diferentes híbridos de milho ao complexo dos enfezamentos, conforme apresentados por Stürmer & Goral (2023).

Figura 4. Avaliação da tolerância de híbridos hiperprecoces e superprecoces ao complexo de enfezamento. Dados compilados de 9 locais distintos de avaliação. Número entre parênteses representa o número de locais em que o híbrido foi avaliado.
Fonte: Stürmer & Goral (2023)
Figura 5. Avaliação da tolerância de híbridos de ciclo precoce e médio ao complexo de enfezamento. Dados compilados de 9 locais distintos de avaliação. Número entre parênteses representa o número de locais em que o híbrido foi avaliado.
Fonte: Stürmer & Goral (2023)

Veja mais: Monitoramento e controle químico da cigarrinha-do-milho


Referências:

EMBRAPA. ENFEZAMENTOS POR MOLICUTES E CIGARRINHA NO MILHO. Embrapa. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/controle-da-cigarrinha-do-milho >, acesso em: 09/07/2025.

COTA, L. V. et al. RESISTENCIA DE GENÓTIPOS DE MILHO AOS ENFEZAMENTOS. Embrapa, Circular Técnica, n. 247, 2018. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/194219/1/circ-247.pdf >, acesso em: 09/07/2025.

ALVES, A. P. et al. GUIA DE BOAS PRÁTICAS PARA O MANEJO DOS ENFEZAMENTOS E DA CIGARRINHA-DO-MILHO. Embrapa Cerrados, 2020. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1129511/guia-de-boas-praticas-para-o-manejo-dos-enfezamentos-e-da-cigarrinha-do-milho >, acesso em: 09/07/2025.

FERREIRA, K. R. et al. FIRST RECORD OF THE AFRICAN SPECIES Leptodelphax maculigera (Stål, 1859) (Hemiptera: Delphacidae) IN BRAZIL. Research Square, 2023. Disponível em: < https://www.researchsquare.com/article/rs-2818951/v1 >, acesso em: 09/07/2025.

STÜRMER, G. R.; GORAL, A. L. TOLERÂNCIA DE HÍBRIDOS À CIGARRINHA-DO-MILHO (Dalbulus maidis). ATUALIZAÇÃO SAFRA 2022/2023. CCGL Pesquisa e Tecnologia, Boletim Técnico, n. 116, 2023.

Foto de capa: Fabiano Bastos

agro.mt

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