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Conectividade no campo avança, mas 20% das propriedades rurais seguem sem internet

Uma pesquisa do IBGE mostrou que o número de fazendas com acesso à internet subiu de 78,1% em 2022 para 81% em 2023. Ainda assim, cerca de 20% das propriedades brasileiras seguem sem conexão, o que limita a adoção de tecnologias que já transformam a produtividade no campo.

Segundo Ricardo Amaral, vice-presidente da Hughes do Brasil, a conectividade rural pode ser viabilizada por fibra óptica, rádio ou satélite. “O satélite tem o benefício de cobrir todo o território nacional, sem as limitações da fibra, que depende de densidade populacional e poder aquisitivo locais para expansão”, afirmou.

Nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde estão muitas grandes propriedades rurais, o acesso por fibra ainda é limitado. “As torres com antenas irradiam sinal de rádio, mas onde não há viabilidade de rádio ou fibra, o satélite é a alternativa”, explicou Amaral. Ele destacou que, apesar de a internet estar disponível em todo o Brasil via satélite, muitos produtores ainda não percebem o valor do investimento para seus negócios.

A conectividade possibilita o uso de tecnologias como sensores em pivôs de irrigação, que ajustam a distribuição de água conforme relevo e radiação solar, e sistemas de manutenção preditiva em máquinas agrícolas. “Esses recursos evitam que funcionários precisem se deslocar por quilômetros para corrigir falhas, prevenindo prejuízos ou multas por uso irregular de recursos hídricos”, disse.

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Máquinas autônomas também dependem de conexões confiáveis, não apenas da internet convencional. “A conectividade ideal é privada e de alta disponibilidade, para que máquinas de precisão não sofram falhas durante a operação”, explicou. Essa automação reduz desperdícios e aumenta a eficiência operacional no campo.

Amaral citou exemplos de alto retorno do investimento, como o monitoramento de pneus agrícolas que, por meio de sensores, amplia a vida útil em até cinco meses. “Apesar do alto custo inicial, o benefício compensa pela produtividade e economia geradas.”

Ele ressaltou que o Brasil está entre os líderes mundiais em agricultura competitiva e adoção de tecnologia, mas ainda enfrenta um gap geracional. “Produtores mais velhos, acostumados a registrar dados em cadernos, resistem à digitalização, enquanto os sucessores já veem a tecnologia como parte essencial do negócio”, afirmou.

Para o futuro, Amaral projeta um campo cada vez mais automatizado, com inteligência artificial gerenciando operações, softwares amigáveis e conectividade confiável. Ele destacou tendências como sistemas integrados e até chips cerebrais para comunicação direta em algumas décadas.

“A tecnologia não é apenas algo legal, é um investimento estratégico. Ela traz produtividade, redução de custos e competitividade. Quem não adotar pode acabar ficando para trás”, concluiu.

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agro.mt

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