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setor vê avanços, mas cobra menos burocracia no crédito

O governo federal anunciou nesta segunda-feira (30) o Plano Safra 2025/26 da Agricultura Familiar, com R$ 89 bilhões destinados ao setor. Do total, R$ 78,2 bilhões serão alocados ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), um aumento de 3% em relação à safra passada. O pacote inclui ainda recursos para seguro agrícola, assistência técnica, compras públicas e garantia de preço mínimo.

As reações de lideranças do agro familiar foram de reconhecimento ao esforço do governo, mas também de cautela quanto à execução prática. João Prieto, coordenador do Ramo Agropecuário da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), destacou que a entidade havia solicitado cerca de R$ 90 bilhões. “Há um esforço da equipe econômica e do MDA para ampliar os recursos. Mas é preciso analisar quanto desse valor estará destinado a linhas equalizadas ou controladas e qual será o custo final para a agricultura familiar”, disse.

Para Vânia Marques Pinto, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), houve avanços importantes no Pronaf e nas taxas de juros, principalmente para agroecologia e orgânicos. “Mesmo com a Selic em 15%, houve redução para 2% nesses casos, o que é muito satisfatório. O valor anunciado é significativo e viabiliza a safra, mas sempre precisamos de mais recursos para ampliar a produção”, afirmou.

Ela também apontou desafios como a burocracia para acesso ao crédito, a necessidade de mais assistência técnica e de maior orçamento para programas de compras públicas, como PAA e PNAE. “Sem isso, o produtor pode até produzir, mas não tem para quem vender”, ressaltou.

A Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida comemorou a criação do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara), considerado um avanço para a transição agroecológica no Brasil. “É um sinal positivo para o mundo, principalmente com a COP30 se aproximando. Mostra que o Brasil quer enfrentar a crise climática e a dependência de agrotóxicos, investindo na saúde, no meio ambiente e na agricultura familiar”, avaliou Jakeline Pivato, secretária-executiva da campanha.

Para o setor de máquinas agrícolas, o Plano Safra também trouxe medidas positivas. Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), destacou a manutenção de juros baixos para aquisição de equipamentos.

“O juro de 5% para máquinas maiores e de 2,5% para investimentos de até R$ 100 mil é muito atrativo, principalmente em um cenário de Selic alta. Além disso, o limite para investimento subiu de R$ 50 mil para R$ 100 mil, ampliando a base de agricultores que podem financiar a mecanização” – Pedro Estevão, da Abimaq

No Paraná, Alexandre Leal dos Santos, presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), avaliou o anúncio como positivo, especialmente pela redução de juros para máquinas e produtos da cesta básica. No entanto, ele reforçou a importância de garantir a liberação dos recursos ao longo de toda a safra. “Não adianta ter juros bons e condições favoráveis se o dinheiro acaba antes do fim do ciclo. Vamos continuar cobrando o governo para assegurar recursos suficientes”, disse.

Entre as novidades do Plano Safra estão linhas de crédito para adaptação às mudanças climáticas, microcrédito para quintais produtivos de mulheres rurais, investimentos em conectividade no campo e ampliação dos limites para habitação e regularização fundiária. Em 2025, o Pronaf completa 30 anos, tendo destinado quase R$ 780 bilhões em investimentos em mais de 42 milhões de contratos desde sua criação.


agro.mt

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